terça-feira, 25 de outubro de 2011

COMUNISTA E CAPITALISTA.


Se tem uma coisa panaca neste mundo é a Teoria de Conspiração.

"Foi a Coca-Cola quem explodiu as Torres Gêmeas"

"Os americanos inventaram a Aids para dizimar os homossexuais"

"O Programa espacial Russo era muito superior aos dos EUA, mas foi boicotado por judeus"

"Hitler era o filho bastardo de um banqueiro alemão, e hoje este banco é dono de metade do mundo"

 Meu vizinho agora está nessa. Leu mil teorias sobre os Iluminatti, sobre os monstros e super-vilões capitalistas yankees dispostos a explodir o mundo. Sociedades secretas, silos nucleares enterrados em terras longínquas. Coisas que a massa jamais poderá conceber. Ele ri da minha cara e me chama de alienado quando  falo "tu tá virando um panaca". Tá virando panaca. Vejo a pessoa que elabora essas idéias como uma baguá bitolado que faz associações imbecis, lê por entrelinhas que não existem e pá, "olha só, minha teoria vai mudar o mundo". Vá sentar em espetinho de churrasco!

E o vilão? O vilão, rárá, nunca muda, meu povo. É ele. Sempre ele. O maldito EUA. Malditos capitalistas, malditos banqueiros, malditos ricos, maldita elite branca, malditas pessoas que só querem poder e fortuna! MATE OS CAPITALISTAS? É isso que você quer de mim?

E quando os EUA aparecem na história, seja pra salvar o traseiro de alguém ao melhor estilo Rambo, oh, lá vem: Os EUA só entraram na guerra quando a água bateu na bunda deles , oh yeah! E daí? Eles estão errados? Desde quando é errado ir a favor de seus interesses? O mundo inteiro faz isso.

Mas quando os comunistinhas fizeram isso pelo mundo, ah pega tão melhor. Comunista pode matar gente em Cuba, na Rússia, na Alemanha Oriental e na China. Pode matar, escurraçar, destroçar porque "capitalista fiadaputa tem que morrer". Matam por interesse, mas ah, a filosofia deles é tão mais bonita. É pura e defende o povo. O povo. Em nome do povo Hitler fez o que fez. Ele tinha uma filosofia para salvar o povo dele. Era nojenta, podre e criminosa, mas era pelo povo. Era honestamente pelo povo. E naquele momento, os alemães levaram a idéia pra frente, não porque Hitler fazia belos discursos, mas porque eles precisavam de tudo aquilo. E se foderam.

Aí ontem meu vizinho me vem:

-O programa espacial Russo estava muito à frente dos EUA, eles faziam coisas muito mais avançadas antes dos americanos!

Eu, calmamente disse:

- Ah é? Então porque você não compra um Lada? É o melhor carro do mundo, não sabia? Carrão.


segunda-feira, 24 de outubro de 2011

O TAL DO BOODY POKE.

Eu nunca acho que as coisas podem ficar pior do que estão. Apesar de mau-humorado eu não sou pessimista. O Orkut é um lixo e só fico lá por ser um meio que as pessoas ainda usam para falar comigo. Aí eu entro e dou de cara com o tal do Boddy Poke. 

O Orkut me enoja. Mesmo prá quem aprendeu a respeitar a opinião alheia, a aceitar que o outro pode sim ser um babaca e não quer ser consertado, o Orkut me dá nojo. 

Ele está infestado de vários tipos inconfundíveis de babacas pessoas, onde destacamos:

- As pouquíssimas pessoas normais, que adicionam somente outras pessoas normais e que postam em alguns tópicos de algumas comunidades sérias e nunca participam de joguinhos idiotas.

- Os que adicionam todas as pessoas que encontram nas baladas, colocam LOTADO na foto do profile que provavelmente vêm com um número na frente, indicando que, de tão pop, precisa de mais de um e não mandam outro tipo de scrap senão propaganda do seu fotolog lotado de fotos superlegais de baladas.

- Os milhões e milhões de imbecis que ficam passeando de comunidade em comunidade tentando difundir seus pensamentos e obrigar os outros babaquinhas de plantão a pensarem como eles, criam joguinhos a todo momento e são campeões super-mundiais de “jogo do faça 13 posts seguidos”.

- Os fakes, que são um dos poucos atrativos do Orkut.

- As pessoas sérias que se fazem de retardados-mentais-iniciantes-na-Internet, que caçoam praticamente DO RESTO do Orkut com sua escrita exageradamente errada e divertida. E, enfim,

- Os adolescentezinhos de 12~18 anos que vagam pelas comunidades musicais expondo TODO o seu conhecimento sobre tal artista ou sobre tal estilo e logo que entram na comunidade, criam um tópico para “botar no papel” toooodo o seu conhecimento adquirido durante várias e várias horas de pesquisa na Wikipedia e afins.

Se você é ASPIRANTE A BLOGUEIRO e quer ser alguém na vida, passe longe do Orkut e da Desciclopédia.

Aquilo mata sua mente aos poucos e você não conseguirá fugir das piadas prontas que lá estão. Como dizia minha avó: quem avisa, amigo é.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

DIA CHUVOSO.


Gosto quando chove de manhã bem cedo.

É como se o céu visse tudo aqui embaixo e chorasse ou tentasse lavar alguma coisa que os homens não conseguem ou talvez nem enxerguem como suja.

 Catamos pedrinhas nesses dias, mesmo que somente na hora da chuva, e as colocamos em seus devidos lugares, porque elas teimam em chegar primeiro, quando deveriam entrar no balde depois, antes apenas da areia, que entra preenchendo tudo, ou quase.

É que a água sempre encontra algum espaço, e a manhã chuvosa parece agir assim... Ela é fria, melancólica e convidativa à reflexão. Rouba-nos a vontade de sair da cama, de deixar a preguiça mental e física de lado, para fingir que aquilo é mais importante do que os pequenos detalhes.

 Acaso não são esses como as raposinhas que destroem as vinhas floridas? Acho que sim, mas deve ser culpa da madrugada e da chuva, que sempre me provocam esses tipos de pensamentos.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

NÃOVEMBRO...


Novembro ainda nem bem começou e eu já estou doido pra ele terminar logo. 

Não acho lá muita graça em novembros, um mês que me dá a sensação de que o fim do ano está logo ali na esquina, mas na verdade ainda tem um bocado de chão pela frente.

Em novembro os  alunos já estão cansados e bem mais preocupados com  as provas na escola e o gás está no fim. Novembro costuma ser insuportavelmente quente, quando o verão ainda vai levar mais de mês pra chegar, ou inesperadamente frio, em geral quando a gente sai de casa desprevenido ou colocou o cobertor pra lavar, porque d’agora até abril deveria ser só termômetro nas alturas. Mas invariavelmente chove nesta época do ano. Chove e faz calor, chove e inunda ruas, chove com vento e você fecha as janelas e quase morre assado dentro de casa. Chove e a cidade tem engarrafamentos homéricos e você não lembra onde foi parar sua paciência zen-budista.

Em novembro a lista de pendências do ano TEM que diminuir e as pessoas saem estressadas  por aí, tentando resolver em um mês o que não foi feito em dez. É o mês das dietas malucas, porque dezembro vai ser aquela overdose de panetone e festas, um estrago que só vai aparecer mesmo na sua vida em janeiro, quando você for experimentar o modelito pra praia.

É quando o gerente do banco, o operador de telemarketing e o pessoal da Associação Mundial de Proteção às Borboletas do Afeganistão dão aquela olhada  no calendário e percebem que de jeito nenhum eles vão conseguir preencher as cotas em tempo hábil, e aí passam a te infernizar a paciência com ligações diárias pedindo a sua colaboração ou oferecendo aquela promoção que não te interessa.


Novembro é o mês em que algumas pessoas importantes saíram da minha vida assim sem mais nem menos, é quando eu tento me organizar um pouco mais porque já sei que dezembro tem no máximo uns dez dias úteis, é quando eu vou ao supermercado e ao shopping e tem Papai Noel e luzes por todo lado, mas eu ainda não estou no clima de Jingle Bells, porque isso só acontece depois que eu monto a minha árvore de Natal, e o sistemático aqui só monta a árvore no último domingo de novembro.

Em novembro eu estou exausto e quero ‘pedir altas’, em novembro tenho que começar a fazer o planejamento financeiro pro ano que vem, porque janeiro é aquela cacetada no bolso e no saco e o governo tem certeza que minha moto é uma Hally Davidson  e minha casa fica em Beverly Hills, e portanto os impostos devem ser recalculados segundo essa nova lógica, mesmo que meu aumento de salário esteja hibernando em uma caverna há tempos.

Novembro é quando eu só quero ler e ver e conversar amenidades porque minha bateria para discussões pertinentes está basicamente descarregada. 

E a única coisa boa que eu consigo pensar é que novembro, ao contrário de outubros e dezembros, tem só 30 dias…


domingo, 9 de outubro de 2011

INSÔNIA.


Insônia. 

Se ao menos se chamasse Sônia e me fizesse esquecer, tranqüilo eu poderia adormecer. 

Diferente disso carrega a negação do “In”, o introspectivo que recusa a calar-se, o intelecto que não cessa em martelar, a intransigência daquilo que está dentro de mim e não consegue sair. 

Se não houvesse incongruência entre os pólos positivos e negativos de tal apegada palavra, que no menor cogitar de sua lembrança, mostra-se altiva e brilhante dentro da escuridão já almejada. Quem me dera fosse somente Sônia, belíssima num sorriso constrangedor, fogosa na atitude, que restaurasse o encanto de que o simples brilhar no escuro fosse algo magnífico, esplendoroso e prazeroso. 

De que a luz emergida da obscuridade penetrasse nesse laço sem interesse, preenchendo um gesto repugnante e grotesco de salientes curvas risonhas, fazendo perder-se em espirais nebulosos, límpido de interesse, capacitado de capricho, lubrificado por impulsos, tentado ao acaso. 

Um desejo transparente. A transparência da libido jamais possível conviver dentro de Sônia. De Sônia, nada mais tenho do que somente um desejo, uma imagem que não me larga nas noites mal dormidas. Abraço a Insônia, na esperança de livrar-la desta indolência.

Pois, desde que me foi diagnosticado um pequeno tumor na válvula do pulmão direito, há um mês atrás, a dor e a insônia são minhas companheiras noturnas.

Se ao menos eu pudesse arrancá-lo com as minhas próprias mãos, a minha vingança seria maligna e perfeita. A Lei do Talião. Mas não.

Hoje estou indo a Salvador iniciar o tratamento de Quimioterapia. O meu Oncologista me assegurou que tal tratamento seria rápido, feito de 3 em 3 semanas e logo em seguida de 3 em 3 meses, visto que o tal visitante era pequeno e estava no começo da sua vida. 

Sei que vou ficar careca. Mas tudo vai dar certo. Já deu. O meu Deus é quem está na frente. Aos meus amados leitores, amigos e visitantes, entrem na torcida. E até depois de amanhã.

SOBRE CONTAS DE BAR.


Mesa de bar com muita gente sempre dá problema na hora de pagar a conta.
O que normalmente complica a divisão são as bebidas e comidas comunitárias. Sempre tem alguém reclamando que só bebeu um pouquinho da cerveja ou que apenas beliscou o filé com fritas, e por isso não quer dividir igualmente.

Para evitar isso, procure pedir algo que ninguém está bebendo e uma comida individual. Desta forma, o seu valor virá discriminado na conta. Se todo mundo está bebendo cerveja em garrafa, por exemplo, peça chopp. Para comer, peça um sanduíche com bastante molho e, antes da primeira mordida, dê uma lambida 360 graus para controlar o molho que está caindo. Isso garantirá a individualidade.

Na maioria dos casos, quem fica por último se dá mal e acaba pagando a mais, pois muita gente esquece de incluir os dez por cento da casa ou faz um cálculo errado de cabeça (já que o ato de sacar a calculadora do celular é visto como mesquinhês).

Mas tem um único caso em que vale a pena ficar por último. E é por isso que estou aqui!

Em linha gerais, pode-se dizer que o déficit final da conta é diretamente proporcional ao grau de intimidade entre as pessoas presentes na mesa.

Em uma mesa composta por amigos próximos, por exemplo, sempre há confusão na hora de pagar a conta, pois ninguém quer ser o otário que pagou a mais. E todos tem intimidade para disputar cada centavo.

Em contrapartida, quando se trata de uma mesa composta apenas por “conhecidos” ou amigos recentes (como colegas de trabalho ou de um curso recém iniciado) há um certo constrangimento em pagar menos que o devido ou de ficar barganhando por alguns centavos.

Por isso as pessoas tendem a calcular o seu valor arrendondando para cima, o que normalmente ocasiona um superávit no final.

Portanto, neste caso, pode ficar tranquilo em consumir bebidas e comidas comunitárias. 

Mas seja o último a pagar.